Hereditariedade

Já conversamos um pouquinho sobre alguns temas na área de genética médica, e vimos que uma alteração no DNA, pode causar uma doença genética. E, nós que temos uma doença genética, também sonhamos em constituir uma família com filhos, desejando que estes não herdem a doença…

Pera aí Michelle, você tá dizendo que meu filho vai ter a mesma doença que eu??

Não necessariamente, mas há uma possibilidade! O DNA carrega todas as informações que serão transmitidas aos nossos descendentes através dos gametas. Como todas as informações do nosso corpo estão duplicadas nos cromossomos homólogos, passamos apenas um conjunto informacional a um filho.

Ixi… como assim? Não é todo meu DNA que vai para meu filho??

Rsrs… não! Imagine seu material genético sendo um misto quente, ele contém duas fatias de pão de forma não é?? Igual seu DNA, que tem duas cópias de cada gene. Se seu filho for a soma de dois pães de forma (um da mãe e outro do pai), seu filho terá quatro fatias de pão e não duas como você.

E, para que o descendente tenha a mesma quantidade de DNA dos pais, cada um dos pais deve transferir a ele apenas uma cópia de cada gene, ou seja, uma fatia de pão de forma. Desta maneira, se um dos pais tiver uma doença genética, o filho pode herdá-la e isso dependerá de múltiplos fatores.  E só um especialista em genética médica para avaliar qual é a probabilidade disso acontecer.

O mais legal é que seu filho pode herdar seu gene mutado e não desenvolver a doença como você desenvolveu!

ixi… me confundi agora! Como assim, ele pode ter o gene e não ter a doença?! Eu não tenho a doença justamente por causa do gene?????

Sim, isso mesmo, a ocorrência da doença deve-se ao gene mutado, mas nem todo mundo que carrega o gene “defeituoso” desenvolverá a doença. O que ocorre é que para ser ativado, ou melhor, expresso o gene precisa de certas condições.

Vamos pensar, quando pequenos, a tia na pré-escola, nos ensinou a colocar o caroço de feijão no algodão úmido neh?? E se você colocar no algodão seco, o feijão vai brotar?? Isso que acontece algumas vezes com nossos genes, podemos tê-los, sem que eles “brotem”, ou seja, sem que sejam expressas suas características.

Assim, características hereditárias são transmitidas dos pais para os filhos, sem serem necessariamente notáveis…rsrs. Uma doença pode vir de um ancestral antigo (avó, bisavó), sem que muitos membros intermediários apresentem.

Entendi, mas tem como eu garantir que meu filho não terá a doença??

Deixemos para a próxima conversa neh??

Ciência RARA

Estive dentro de um grande centro universitário (Universidade Federal de Juiz de Fora) durante 15 anos, lá fiz Graduação, Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas. Neste período, atuei ativamente em projetos de pesquisa envolvendo diversas subáreas da saúde como bioquímica, biologia celular, Imunologia, genética e Biotecnologia. Também tive a oportunidade de dar aulas e senti grande satisfação em poder compartilhar o conhecimento obtido. Com o surgimento de uma doença rara, a Paraparesia espástica hereditária, tive que diminuir meu ritmo e ressignificar minha vida! Dessa maneira, surgiu o Ciência RARA, onde tenho a oportunidade de ajudar as famílias acometidas com doenças raras a entender um pouquinho sobre os termos científicos que invadiram suas vidas!

Este post tem 2 comentários

  1. Avatar
    Glaucia

    Minha vida aos 44 anos é buscar me informar sobre meu reumatismo sind de sjogren e agora hipermobilidade do meu filho de 14 anos.
    Procuro me informar se há campo de trabalho como advogada nessa parte de obter direitos, remédios, via judicial, ou criando ONGs. Mas não sei com quem falar sobre isso. Obgda

    1. Michelle Detoni

      Olá Glaúcia! Difícil encontrarmos informações de qualidade sobre doenças raras neh?? Fico aqui na torcida que todas as suas dúvidas sejam esclarecidas!
      Em relação a campo de trabalho em advocacia, acredito que na obtenção de medicamentos via judicial, homecare haja um campo de trabalho a ser explorado sim 🥰

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