Ensaios clínicos: Open Label x Duplo Cego

Já conversamos um pouco sobre os principais questionamentos das famílias RARAS com relação aos conceitos genéticos neh? Mas não é só na parte genética que existem dúvidas. Como muitas doenças raras ainda não tem um tratamento bem estabelecido e eficaz, a participação em ensaios clínicos acaba virando rotina para muitas famílias.

Ei, Michelle, pera aí, você tá dizendo que os cientistas usam a gente como ratinhos? Para testar qualquer coisa e ver se a gente fica curado?

Calma, existem regras a serem seguidas, quando é proposto um ensaio para tratamento em humanos, o medicamento já foi amplamente testado em laboratório com células e animais. Ou seja, só vai haver um estudo daquele medicamento promissor para o tratamento de determinada doença.

Agora você imagina um pesquisador que dedicou 10-15 anos ao estudo de uma substância, e acredita que ela pode ser a cura de determinada doença. Tudo que ele quer é ver nos resultados de um estudo clínico que sua substância proporcionou a cura de um paciente.

E para que a avaliação do ensaio clínico não seja comprometida, existem algumas regras a serem seguidas para garantir a imparcialidade nas avaliações. Um ensaio clínico simples tem dois grupos de pacientes, um que recebe o medicamento e outro que não recebe.

Ué Michelle, mas assim não é imparcial! Se eu não receber medicamento, claro que não vou melhorar!

Rsrs… e quem disse que você vai saber que não recebeu??

Chamamos de ensaio clínico Duplo-Cego, o estudo onde nem a equipe medica, nem os pacientes sabem qual medicamento está sendo administrado. Só depois que os resultados são analisados que há identificação dos pacientes que receberam medicação ou não.

Há também o ensaio clínico do tipo Open-Label, onde tanto o médico quanto o paciente sabem qual medicamento está sendo ministrado.

Ah Michelle, entendi. Mas nesse último aí, não podemos confiar neh?

Claro que podemos, vejamos o caso da cura do câncer recente pela terapia gênica, os resultados são claros, não há como paciente e médico interferirem em sua interpretação.

Há vários outros tipos de ensaios clínicos, sendo escolhido sempre o mais adequado a cada situação.

Ciência RARA

Estive dentro de um grande centro universitário (Universidade Federal de Juiz de Fora) durante 15 anos, lá fiz Graduação, Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas. Neste período, atuei ativamente em projetos de pesquisa envolvendo diversas subáreas da saúde como bioquímica, biologia celular, Imunologia, genética e Biotecnologia. Também tive a oportunidade de dar aulas e senti grande satisfação em poder compartilhar o conhecimento obtido. Com o surgimento de uma doença rara, a Paraparesia espástica hereditária, tive que diminuir meu ritmo e ressignificar minha vida! Dessa maneira, surgiu o Ciência RARA, onde tenho a oportunidade de ajudar as famílias acometidas com doenças raras a entender um pouquinho sobre os termos científicos que invadiram suas vidas!

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